quarta-feira, abril 30, 2008

Vida de gente grande

Toda criança tem um sonho: “virar gente grande”; poder participar das conversas sem ser repreendido porque o assunto é de adulto, poder dirigir, dormir a hora que tiver vontade, ser independente e, principalmente, poder ser o que sempre respondia quando perguntavam “o que você quer ser quando crescer?”.


Aos cinco ou dez anos tudo na nossa cabeça é possível e o mundo é lindo e perfeito, as barreiras que existem são apenas aquelas impostas pela idade, que nos impedem de faltar à aula quando temos vontade, de comer sorvete mesmo com dor de garganta, de não escovar os dentes quando estamos com preguiça ou de dar um puxãozinho de cabelo naquele coleguinha chato. Barreiras impostas pelos cruéis adultos que não nos entendem e nos quais tanto queremos nos transformar para fazer tudo isso.


Nem imaginamos o quanto essas coisas ficam sem graça quando não podemos fazer tantas outras, de adulto, que são impedidas pelas barreiras da sociedade e do mundo real. Nunca poderíamos imaginar o quanto se tornar “gente grande” é chato, cansativo e frustrante. Toda aquela liberdade que sonhávamos se torna impossível e percebemos que livres mesmo, éramos quando tínhamos aquela idade.


Crescer é cruel e doloroso, e só quando chegamos aqui percebemos que nem sempre conseguimos ser o que queríamos e nem sempre sabemos realmente o que queremos ser. Às vezes também, sabemos, mas não podemos concretizar porque esta tal ‘liberdade adulta’ é contraditória e irônica.


Entretanto, a pior parte dessa história começa ainda na adolescência, quando pensamos que o mundo está contra nós e na verdade ainda nem está, as escolhas, as grandes e inquietantes vilãs do resto dos anos da nossa vida. Elas, que sempre estarão presentes, nos fazendo desistir de sonhos, de pessoas e até de nós mesmos quando necessário. Com elas, vêm as dúvidas, questionamentos, reflexões e tantas lágrimas ao sairmos do mundinho idealizado por crianças que não existem mais e pensavam que era diferente.


Hoje estou cansada de tudo isso, a ponto de perder o sono e nem sequer conseguir raciocinar, de querer parar o mundo e encontrar o meu lugar ou pelo menos tentar descobrir onde me encaixo nesse emaranhado de sentimentos ainda novos e profundamente complexos para os meus vinte e poucos anos, que almejam uma vida inteira pela frente, mesmo sem saber que caminho trilhar.

Honestamente, trocaria toda a liberdade por ter cinco anos, por ter na opção pela melhor brincadeira ou a cor adequada para pintar o desenho as minhas maiores escolhas e dúvidas. Trocaria toda a independência dos vinte anos pela inocência dos dez e todos os desafios desse mundo pelos sonhos daquele que já passou.


“Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar quero que você me leve...”

segunda-feira, abril 28, 2008

Mudar, mudar!

Cansada de filosofias de mesa de bar e sentimentalismos baratos resolvi escrever sobre coisas que as pessoas falam, opinam e entendem (não que não entendam de sentimentos, mas normalmente têm preguiça de tentar entendê-los).

Hoje vou falar de mudança de vida, e tudo que ela nos oferece, especialmente para quem vive em um mundo capitalista em que o dinheiro compra tudo (ou quase).

Sempre há quem olhe e diga: "essa menina tem tudo, família unida, estudo, emprego importante, carro, marido bom, roupas novas... o que mais pode querer heim?". Ela pode querer tudo e muito mais! Pode querer tirar férias quando está cansada, ganhar flores no aniversário ou café da manhã na cama, pode querer uma bela tarde de sol para conversar com as amigas, um domingo chuvoso para não sair de casa... Ela deve querer mais, sempre mais.

As pessoas têm a triste mania de achar que ter tudo significa não poder querer nada e esquecem que o ser humano é eternamente insatisfeito, ainda bem, pois nada é mais chato e sem graça do que monotonia, nada cansa mais do que a acomodação de viver uma vida sem objetivos, planos e sonhos.

Algumas pessoas são resistentes às mudanças, acham que não se mexe em time que está ganhando, mesmo que seja uma vitória morna, o melhor é sempre garantir o que se tem para não ficar sem nada, correr riscos nem pensar! Respeito os cautelosos, mas eles não imaginam o quão saborosa é uma bela mudança, até as mais simples, de estilo, de gosto musical, de hábitos cotidianos e ações automáticas.

Não estou falando de instabilidade e inconstância, mas sim de querer aprender coisas novas, experimentar novos ares, sempre querer mais e não se acomodar com uma vida tranqüila a ponto de chatear, afinal, estamos aqui para que, se não para crescer a cada dia? E o crescimento se dá, inevitavelmente, através de mudanças.

Vamos experimentar, todos os dias, até o último dia de vida!
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