terça-feira, dezembro 29, 2009

A escolha de Dalila


Todos os dias quando acorda, Dalila encontra Deus na porta do seu quarto. Dando bom dia ela já sabe o que fazer. Ele a espera com a caixa aberta e ajoelha-se com um sorriso. Os olhos da menina brilham e sem resistir ela enche as mãos de lápis de várias cores. Azul, rosa, verde, laranja, roxo... Mal sabe como escolher com tantas opções, mas logo decide e agradece dando-lhe um estalado beijo no rosto. Pulando, com um arco-íris entre os finos dedos, Dalila sai pela casa pronta para traçar o seu dia com as cores preferidas.

Logo que chega na cozinha, a menina colore com rosa os abraços que distribui à família. Ainda na porta de casa aperta bem forte o amarelo contra o céu, já pintado de azul, para fazer brilhar o mais belo sol. No caminho da escola, Dalila escolhe cores diferentes para cada pássaro e não esquece das flores, com o verde sempre na frente vai fazendo a trilha que segue. Com a perspicácia de criança a menina saltita admirando todo o colorido que fica a sua volta e pergunta à Deus: como alguém pode escolher o cinza todos os dias para fazer os seus traços?

"A vida é da cor que a gente pinta!"

quarta-feira, novembro 11, 2009

Carência cultural

Quarenta minutos para o espetáculo começar. Na frente do teatro, a fila alcança a outra esquina e não para de crescer. O show não é de nenhuma banda famosa ou algum grande pop star. Uma trupe independente, como eles mesmos se denominam.

As portas são abertas e cada cadeira é ocupada em segundos, parece que aquelas pessoas sempre estiveram ali, encaixadas nos espaços. As luzes ainda não foram apagadas e do lado de fora dezenas (talvez centenas) de pessoas imploram por um ingresso. Acabaram, desde o início da manhã desse mesmo dia não havia mais, por qualquer preço que fosse, lotação esgotada.

Uma mistura de música, teatro, poesia e circo toma conta do palco, arte pura, com conteúdo, consciência, alegria, magia! Magia que reflete o silêncio de um povo que precisa falar, palavras duras com uma beleza inigualável, ditas com tanta força que arrepia. Assim estavam todos, arrepiados, embriagados por aquelas luzes e cores e sons e energia.

Com certeza muitos ali foram para assistir um show, parte de uma série de shows que aconteciam na cidade e a quantidade de gente que ficou na rua é o reflexo de uma população carente de cultura, sedenta por arte. Porém, a noite não passou de uma reunião de pessoas que queriam ser felizes e trocar, absorver, abstrair e renovar as esperanças de que é sempre possível fazer melhor em um mundo em que tudo parece pior.

Talvez tenham sido minutos, horas ou até dias, ninguém sabe ao certo qual foi o tempo que passou fora daquele teatro. Dentro dele todos sentiram o tempo sumir, esvair como fumaça e aqueles instantes parecem acontecer ainda hoje, a qualquer momento, martelando as letras e ritmos que tocam a alma. “Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar... Hum e o mundo é perfeito...”

quinta-feira, outubro 29, 2009

Patético

Acho engraçadíssimo quando vejo uma pessoa falando com a outra como se soubesse exatamente o que ela sente e na verdade nem tem intimidade para isso. Quem vê de fora pensa que são melhores amigas. Há pessoas assim, que forçam a amizade, empurram a intimidade goela abaixo do indivíduo que talvez nem queira dividir a sua vida com ela. Há pessoas que precisam parecer populares e amigas de todos, pura carência. Intimidade não se cria ela nasce naturalmente, com a convivência, com a empatia entre duas pessoas e, principalmente, com a afinidade que brota naquela relação.

Pode parecer antipático, mas sou contra participar de conversas onde não fui chamada, comentar sobre assuntos ou sentimentos particulares que não conheço verdadeiramente e me passar de amiga para alguém que nem sabe nada de mim e vice-versa. Na internet as coisas pioram. Usa-se “entrelinhas” para parecer ainda mais íntimo, todo mundo se identifica com tudo que os conhecidos escrevem e sempre amam no final da frase. Como se amor fosse assim, virtual e casual, como se o amor existisse pelo simples conhecer alguém.

Intimidade é não precisar falar para ser entendido. Verdadeiro é aquilo que não precisa ser gritado aos quatro ventos ou mostrado publicamente. Forçar amizade é patético. Tão patético quanto tratar todo mundo como se fosse o melhor amigo, o tempo todo. Ninguém é perfeito e amado por todos. Faz parte da vida a rejeição, faz parte do crescimento reconhecer que nem todo mundo vai gostar de nós, assim como não vamos gostar de todo mundo. Intimidade se conquista. Não sou psicóloga, mas me arrisco a afirmar que impor intimidade nada mais é do que carência e necessidade de atenção e a melhor maneira de curar isso é ser verdadeiro para conquistar amizades também verdadeiras. Como dizem por aí: Fica a dica!

sexta-feira, outubro 16, 2009

O trabalho na Folha da Princesa é uma troca. Nós levamos para a comunidade da Vila informação e identidade, dela trazemos muitas lições. Lições sobre vida, sobre comunidade e, principalmente, sobre gente. Pessoas que com a sua história nos fazem enxergar de uma outra forma a nossa própria vida e a atividade que realizamos como jornalistas. Todo estudante deveria passar por uma atividade de jornalismo comunitário como a Folha, aqui aprendemos o verdadeiro valor da profissão que escolhemos e entendemos o nosso papel na sociedade.

Escrevi este parágrafo às pressas no dia do fechamento da edição de 9 anos do jornal. Queria falar mais, foi difícil resumir em tão poucas palavras a experiência que tenho vivido com esse trabalho. Outra hora, num post do pássaros, paro e escrevo tudo que tenho vontade. Por enquanto, fica registrada a minha felicidade em fazer parte deste projeto que entra no seu décimo ano.

CIDADANIA É SEMPRE MANCHETE!

quarta-feira, outubro 07, 2009

Eu sou de ninguém


"Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: ´eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também´. No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração ´tribalista´ se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter ´alguém para amar´.. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento..."
-> Autor desconhecido

quinta-feira, setembro 17, 2009

Dezessete


Dezessete. 17. 1+7 = 8. Oito. Representa equilíbrio, justiça, consolidação, luminosidade e segurança. O número das direções cardeais e dos raios da roda, duas partes de cada quatro, quatro partes de cada dois. É o número de pétalas da flor de lótus, o número do infinito! Infinito como a alma, como deve ser o amor e o respeito. Infinitas oportunidades, alegrias, paixões e infinitos aprendizados da vida, a cada novo ano, em cada renovação. Oito, o meu número e ninguém escolhe o seu, acontece por acaso (ou não). O meu tem um codinome, uma fantasia, dezessete, como ele é pra mim. O meu número do infinito!

Caçador de Mim
-Milton Nascimento

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

quinta-feira, setembro 10, 2009

Mundo


É engraçado como somos pequenos diante do mundo e pensamos que o nosso universo particular é tudo que existe à nossa volta. É incrível como o mundo e as possibilidades são infinitos. Viver para viajar e expandir os horizontes, deveria ser a verdadeira razão da vida!

terça-feira, setembro 01, 2009

Verdadeiro

As pessoas pensam que fazer sacrifícios por alguém é amor e que amizade só se comprova com grandes atos em prol do outro. Pensam que para existir sentimento verdadeiro tem que estar perto o tempo todo e que sinceridade é dizer o que a pessoa quer ouvir para deixá-la feliz.

É nos pequenos gestos que aprendemos a reconhecer aqueles que realmente querem o bem. É em um olhar de cumplicidade, em uma atitude simples ou apenas em um abraço que entendemos o valor de ter alguém em quem confiar.

Saber ser e ter amigos vem de dentro, não pode ser criado ou forçado, faz parte da personalidade, da índole, está no coração. Verdadeiro é saber ficar feliz com a felicidade do outro, é a mais sutil e autêntica prova de amizade!


Parabéns especial para minha querida Fabih!! Que sempre soube ser especial para mim com seus pequenos gestos(alguns até que ela nem imagina o quanto foram importantes). Hoje o dia é dela!

sábado, agosto 15, 2009

Voltar

Saudades do pássaros, saudades de ver textos novos aqui, saudades de escrever e ver que alguém comentou e saber que muitos não comentam, mas lêem. Saudades simplesmente de escrever porque me faz bem!

Confesso que nem tenho tentado. Entro aqui, dou uma olhada, leio blogs amigos, mas não dá vontade, bate preguiça. Bate a dúvida se vale a pena abrir pra quem quiser ler os meus pensamentos.

Tenho definido minha fase atual como “casulo” (inclusive pensei em criar um blog com esse nome, mudei de ideia). Acredito que todos nós temos muitas etapas assim na vida. Se recolher, sumir do mapa, pensar, avaliar, refletir, analisar e crescer. E como eu cresci e ainda tenho o que crescer, sempre temos. No momento certo, viro borboleta e saio voando por aí! Ou será que já não estou no ar e nem percebi?

quinta-feira, julho 09, 2009

Olhar

Olhos fechados,
vento no rosto
a voar os finos fios
de cabelo, de sorriso.
Cheiro de chuva,
raios de sol,
pé no chão,
braços abertos
para o mundo
para a vida.
Tudo é perfeito
se olhado com olhos de perfeição!

quarta-feira, junho 17, 2009

Editorial

Depois de um tempo desativado o Pássaros volta ao “ar”. Na verdade comecei a criar um blog novo, mas não gostei. Me apeguei ao que criei aqui e não consegui achar interessante nenhuma outra ideia(sem acento segundo a nova gramática, lamentável). Assim, fiz uma faxina geral, apaguei textos antigos e atuais também, deixei apenas aqueles que realmente não consegui deletar. Mudei o layout, achei que precisava de um pouco mais de cor e uma foto nova na descrição. No final gostei das mudanças e isso me animou para voltar a escrever.

Nesse tempo senti falta de um lugar para colocar as minhas ideias malucas e para falar das minhas novas aventuras no mundo das palavras, textos jornalísticos, só o que tenho feito ultimamente no que se refere a escrever. Só penso em lide, pirâmides, núcleo de interesse, linha de apoio... Que saudades da minha liberdade! Escrever sem preocupações com formato ou se vou ser entendida, que saudades, principalmente, das minhas amigas entrelinhas! Bom, elas estarão de volta e comigo os pássaros voltam a voar...

sexta-feira, abril 17, 2009

Ser gaivota

Se pudesse ser um pássaro eu seria uma gaivota.
Para assistir da beira o sol se ponto entre as ondas.
Olhar o horizonte e ser capaz de alcançar com minhas asas
o mais distante dos sonhos.
Ao fim do dia encontrar as outras na areia úmida
Lado a lado alçarmos voo na mesma direção...
Se pudesse ser um pássaro eu seria uma gaivota
Viveria perto do mar
Escutaria o som das ondas e do vento
Mergulharia em busca do alimento
Voaria entre o azul do céu e o azul do mar.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Em direção ao mar

A vida corre debaixo dos nossos pés, sob os nossos olhos, basta apenas coragem para pular e deixar que a correnteza leve em direção ao mar.




sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Ser humano

Pessoas, alegres, tristes, misteriosas, extrovertidas, de todas as idades, nomes, crenças e personalidades. Pessoas que cansam, que machucam e confundem. Outras que acalmam, aquietam e consolam. Pessoas são assim, cheias de erros, defeitos e desequilíbrios. As qualidades são maiores, sempre são, mas cada um tolera falhas diferentes.

Pessoas fazem escolhas, pensam só em si ou só nos outros. Muitas vezes nem pensam, agem por impulso e se vitimizam. Pessoas cansam, a convivência e o ritmo da vida. Assim somos nós, pessoas, infelizmente. Na próxima vez quero ser cachorro, mesmo que seja de rua e é mais digno e incondicional do que ser humano.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Sobre um navio

O navio está no mar, mas não possui rota,
esqueceram de levar o mapa,
a bússola deixou de funcionar há milhas e milhas.
No leme um capitão confuso,
cheio de sonhos sobre a terra que o espera
tantas incertezas sobre como chegar lá.
Sua única saída, a intuição.
Outras vidas dependem das suas direções,
é preciso superar tempestades e ventos fortes
que arrastam para lados opostos.
O navio está no mar
e a incessante busca por uma terra firme!

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Inesquecível

Há exatamente um ano atrás eu estava vivendo um dos momentos mais importantes da minha vida e hoje, doze meses depois, me dou conta de quão efêmeros são os momentos de felicidade. Eles duram apenas um instante e passam voando, mas ficam marcados para todo o sempre.

Há um ano estava sendo realizado um sonho, compartilhado com tantas pessoas queridas, pais que apostaram no filho, amigos e família que sentem orgulho de cada vitória e colegas, amigos ou não, que também estavam em êxtase.

Hoje cada segundo daquele 12 de janeiro de 2008 é apenas uma lembrança boa na nossa memória, aquele sentimento nunca se repetirá e as emoções ficam congeladas somente nas fotos que registraram os sorrisos e choros de cada um dos rostos que formaram essa história.

Um ano depois outros momentos já foram vividos, caminhos começaram a ser trilhados e uma nova vida passou a ser vivida por todos nós. Viramos adultos, as responsabilidades e cobranças cresceram mais do que nunca e passamos a ter o futuro inteiro pela frente, agora como profissionais.

Mesmo assim, nada irá apagar ou substituir aquelas três horas que ficamos sentados em cadeiras desconfortáveis esperando com calor o momento de ouvir o nosso nome ser chamado para receber um canudo vazio que nunca foi tão desejado.

Há um ano atrás a minha vida mudou, assim como de todos que estavam sentados naquele palco e hoje vejo que nunca mais fui a mesma e que momentos vem e vão, mas nada se compara ao instante em que estamos alcançando um objetivo.

Seria justo que pudéssemos reviver momentos inesquecíveis sempre que desse vontade e eu reviveria umas mil vezes o dia que vivi há exatamente um ano atrás.





“E talvez, não seja assim tão fácil,

Talvez assim seja melhor

Talvez, cada um reme pr'um lado

Mas os mares que te cercam...

Talvez sejam iguais aos meus

E a gente segue em frente...”

(Junior Lima)

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