quarta-feira, novembro 11, 2009

Carência cultural

Quarenta minutos para o espetáculo começar. Na frente do teatro, a fila alcança a outra esquina e não para de crescer. O show não é de nenhuma banda famosa ou algum grande pop star. Uma trupe independente, como eles mesmos se denominam.

As portas são abertas e cada cadeira é ocupada em segundos, parece que aquelas pessoas sempre estiveram ali, encaixadas nos espaços. As luzes ainda não foram apagadas e do lado de fora dezenas (talvez centenas) de pessoas imploram por um ingresso. Acabaram, desde o início da manhã desse mesmo dia não havia mais, por qualquer preço que fosse, lotação esgotada.

Uma mistura de música, teatro, poesia e circo toma conta do palco, arte pura, com conteúdo, consciência, alegria, magia! Magia que reflete o silêncio de um povo que precisa falar, palavras duras com uma beleza inigualável, ditas com tanta força que arrepia. Assim estavam todos, arrepiados, embriagados por aquelas luzes e cores e sons e energia.

Com certeza muitos ali foram para assistir um show, parte de uma série de shows que aconteciam na cidade e a quantidade de gente que ficou na rua é o reflexo de uma população carente de cultura, sedenta por arte. Porém, a noite não passou de uma reunião de pessoas que queriam ser felizes e trocar, absorver, abstrair e renovar as esperanças de que é sempre possível fazer melhor em um mundo em que tudo parece pior.

Talvez tenham sido minutos, horas ou até dias, ninguém sabe ao certo qual foi o tempo que passou fora daquele teatro. Dentro dele todos sentiram o tempo sumir, esvair como fumaça e aqueles instantes parecem acontecer ainda hoje, a qualquer momento, martelando as letras e ritmos que tocam a alma. “Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar... Hum e o mundo é perfeito...”

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