sexta-feira, março 25, 2011

Abandono

Como uma mãe que esquece de buscar o filho na escola, toda vez que entro no pássaros sinto remorso pelo abandono desse espaço. Não é descaso. Apenas parece que essas linhas não estão conseguindo acompanhar o ritmo das coisas. Parece que o que tenho vivido não cabe em algumas palavras. Quando paro e tento escrever, nenhuma frase consegue expressar realmente o que quero. Soa como efêmero perto da intensidade do real. Tudo é pouco para descrever as descobertas e pequenas constatações diárias. 

De repente, tornou-se injusto resumir em linhas sentimentos tão fortes e aprisionar em textos momentos que podem ficar livres na memória. Qualquer tentativa de narrar não seria fiel a cada importante impressão. No fim, o que não quero é ficar limitada aos pontos finais das histórias contadas e poder, então, mudar vírgulas e pausas sempre que lembrar das peculiaridades das cenas. Quem sabe um dia possa até falar sobre esses momentos com a merecida fidelidade. Agora só é possível sentir...

Foto by Marcelo Pinho

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